Friday, December 30, 2005

2006!



sorrisos a tudo que virá!!

Wednesday, December 28, 2005

VZ



O Vzyadoq Moe é uma das bandas mais impressionantes que esse país já pariu, ela encerrou suas atividades em 1995. Mistura de expressionismo alemão, Clarice Lispector, samba obssessivo à base de latões, guitarras e baixos distorcidos e tocados de forma singular, poesias impressionantes inexplicavelmente criadas e "cantadas" por um piralho de 19 ou 20 anos. Eu só tinha um velho vinil, o único da banda, lançado em 1989. Fuçando na internet, consegui encontrar umas referências e, uns e-mails depois, conversei com o baixista (ainda residente em Sorocaba, berço da banda). Ele agradeceu os elogios e me mandou dois cds. O que eu tinha em vinil e um gravado depois, com umas 7 músicas inéditas. Adoro a internet. E Vzyadoq, é claro!

o fim da rádio ipanema



A rádio Ipanema FM foi importante para muitos que, como eu, passaram uma adolescência pré-internet na província de Porto Alegre, adolescência que iniciou nos primeiros anos da redemocratização do país. A Ipanema era quase uma família de ouvintes críticos e ávidos por sintonia com as novidades do mundo musical e cultural alternativo e com as legendas dissonantes do rock, da MPB e de expressões culturais inclassificáveis. Só a Ipanema tinha locutores de verdade, uns mal humorados, outros de voz estranha, alguns com diccção pouco compreensível, outros com manias que acabavam no ar, sem muitas preocupações. Todos eles, sem exceção, tinham personalidade. Pouco não podia ser falado de um jeito ou de outro nas transmissões, e todos nós entendíamos os recados. Além de ter participação ativa em eventos culturais da cidade, a Ipanema atuou politicamente em inúmeos casos, se posicionou, se arriscou. Era bom demais.

Mas a "adolescência" um dia acaba, né mesmo? Então vem a "maturidade". Lá pelo meio dos 90 a coisa começou a complicar e algum tempo depois a proposta estava irreversivelmente perdida. A Kátia Suman foi demitida (acho que pelo Bira Valdez que, pelos comentários, era muito autoritário), entraram novos locutores, novos programas, nova forma de pensar, nova concepção.
Não, esse não é um post nostálgico ou ressentido, é só um relato um tanto melancólico. Mas é também uma afirmação, uma afirmação de algo que se perdeu, mas que pode ressurgir sob outras formas, caras, disfarces.

A Ipanema se tornou uma rádio alternativa FAKE, um simulacro do que foi. Tudo muda e deve mudar, mas há várias formas de mudar, não é mesmo? A Ipanema agora é uma rádio estritamente comercial, muito parecida com a insignificante e jabaculenta atlântida ou a TERRÍVEL 107.1. Locutores óbvios (ainda que com uma ou duas espremidas exceções), opiniões clichês, programação pobre, posturas pra lá da alienação. E ainda, pra tentar salvar um restinho de dignidade, chamaram a Méri Mezari, que faz alguns comentários pela manhã. Ela parece arroz integral no meio de um Mac Lanche Feliz. E segue a preocupação com Marketing e anúncios ...
Uma historinha: Em 2004 ou 2003 a Ipanema ganhou um prêmio, não lembro do nome, mas era um prêmio dado a rádios que davam retorno aos anunciantes. Lá estava o Eduardo Santos felicíssimo no ar, comemorando o primeiro lugar e dizendo que a Ipanema era uma rádio "viável", que valia a pena anunciar na Ipanema. Como se ela não fosse viável antes. Tempos em que se lia a tradução da letra de "the end" do Doors às 3 da tarde, se transmitiam shows históricos mesmo com técnica deficiente ou se rasgava uma carta do Isaac Ainhorn a favor do fechamento do bar Ocidente em pleno ar, com barulhino de papel rasgando e ironias na medida. Pode até ser bom anunciar na Ipanema, vender biquínis e cursinhos de inglês, mas ouvir a Ipanema, isso foi bom no passado. Agora, restam a Cultura e a Unisinos ou, para quem quer levar a vida em clima de consultório dentário, a robótica rádio Continental.

Sunday, December 25, 2005

convocação extraordinária



Eles já ganharam 12,5 mil no dia 16 de dezembro. Natal gordo. Nas próximas semanas vão ganhar mais 12,5 mil, tudo isso além de seus salários, é claro. É natural que estajam sorrindo largamente enquanto nós, aqui no mundo sublunar, além de dependermos das suas decisões, ainda sustentamos a maquiagem e o laquê.

harém



Ando interessado em retomar as atividades lúdicas e espirituais proporcionadas pelo hábito de fumar cachimbo. Com esta finalidade tenho freqüentado algumas páginas virtuais sobre o assunto. A que se destacou foi a do "Barcelona Pipa Club", com um interessante "curso de pipa". Vejam só a resposta para uma das perguntas propostas: "Cuantas pipas hay que tener?"

"Cuando tengamos una gran cantidad dispondremos de un auténtico 'harém' donde siempre de todos modos existirian las 'favoritas'. Así escogeremos para cada momento la pipa más adecuada, la que nos recorda a esa persona o esa viaje o la que nos ayudó a tomar una decisión transcendental etc. "

Agora é meter a mão no tabaco e ser feliz.

Tuesday, December 20, 2005

desnutrido

É, sei que pode parecer, mas não deixarei 'o impensado' se tornar 'o desnutrido' por falta de sangue, suor e sorrisos. Logo retomarei a "tapeçaria verbal", como diz o amigo Animot.

Sunday, December 11, 2005

Broken Flowers


Jim Jarmush acertou. Acertou novamente. Broken Flowers é profundo sem ser piegas, é minado de referências sem ser poluído, é recheado de sutilezas e silêncios que levam quem se deixa envolver na carona da pequena odisséia pessoal de Don, personagem interpretado por Bill Murray. Broken Flowers é uma espécie de road movie de um Don Juan sob profundo impasse, que, mesmo pretendendo permanecer imóvel, não consegue deixar de buscar o novo que se apresenta em sua porta, sem rosto, endereço ou certezas. Assim ocorre um passeio por cenários e vidas tão díspares, por sentimentos tão antagônicos, por possibilidades que transitam entre o que há de mais tradicional e óbvio ao que habita o nonsense com a naturalidade de um cotidiano comum. Broken Flowers é uma aula.

Sunday, December 04, 2005

Saruman, o mago sacana



para quem não conhece, aqui está ele... Saruman.

Saruman e seus amigos

Há um poderosíssimo mago em “O Senhor dos Anéis” chamado Saruman. Ele alia-se com o mal e passa a aprontar horrores para dominar a ‘Terra Média’ junto com seres da pior estirpe e seu mestre maior, Sauron. No segundo episódio da trilogia ele é derrotado e punido por uma revolta protagonizada por árvores mágicas milenares devido à destruição de enormes quantidades de florestas que provocou para usar a madeira necessária para a guerra. Essas árvores gigantescas chamam-se Ents e atacam o mago sacana e seu castelo a pedradas, arrasando com tudo. Gostaria que houvesse Ents por aí, já que Sarumans pululam nos governos estaduais. Vejamos.
O governo Rigotto em sua ânsia por produzir ao menos algum dado positivo para o estado do RS, já que foram três anos de resultados pífios, se esmera em apoiar o florestamento (e não reflorestamento) de Pinus e Eucaliptos na metade sul do estado. A monocultura dessas espécies vegetais tem sido duramente criticada por entidades ambientalistas, já que causaria a descaracterização e destruição o ecossistema pampeano, este com um nível de biodiversidade bem superior. Pinus e Eucaliptos são espécies exóticas para a região, não existindo por lá naturalmente. Para alguns ambientalistas, trata-se da criação de “desertos verdes”. Para quê? Simples: fabricar papel. As indústrias descobriram que a região tem “potencial econômico” porque lá os Pinus e Eucaliptos se desenvolvem numa velocidade “competitiva”.
Também há o governador mato-grossense Zeca do PT, que luta despudoradamente para construir usinas de álcool e açúcar em pleno pantanal, por mais que isto seja uma insânia desenvolvimentista. Por esta razão, o respeitado ambientalista Francisco Anselmo ateou fogo ao próprio corpo no dia 12 de novembro, falecendo horas depois. O projeto foi derrotado, mas o governador Zeca já avisou que não desistirá. Germano e Zeca, da esquerda ou da direita, tanto faz, são igualzinhos.
Já que não vi nenhum Ent por aí, e olha que procurei, espero sinceramente que esses Sarumans apologistas da destruição do que não lhes pertence e que é profundamente mais belo, importante e complexo do que eles, sintam-se apedrejados, junto com quem os sustenta, em suas pobres almas. Enquanto isso, aplausos para quem luta a favor da vida e vigia essa gente, mesmo não tendo os poderes mágicos de um Ent.